domingo, 27 de abril de 2014


O tombo da bicicleta


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Eu contei aqui que eu amava escrever, porém não contei que meu passatempo favorito também era o recorte. Sim, eu amava ler revistas, recortar o que eu achava interessante e colar em caderno. Meus cadernos eram cheios de matérias, imagens e até histórias que eu gostava e achava que devia mostrar para meus amigos. Eu já tinha inventado o botão compartilhar muito antes de Mark Zuckerberg.

Tenho muitos cadernos e agendas lotadas de colagens, e o que me faz me transportar para aquelas memórias de quando eu era apenas um garoto de doze anos são eles. Lendo um dos meus primeiros “arquivos”, me deparei com um fato que escrevi na época. Reescrevi a história e arrumei alguns erros de concordância. A minha adolescência passei toda com um grupinho de amigos, dentre eles duas vou falar hoje nessa memória.

Algumas informações para você entender a história:
• Uma das coisas mais importantes na minha vida foi quando ganhei uma bicicleta. Andava pra todo canto com ela, inclusive com minhas amigas Marcela e Tamires. A Tamires não tinha bicicleta, então a gente revezava e cada hora um levava ela no “cano”.
• Nessa época a gente era vidrado no filme Anaconda, logo a gente morria de medo e via cobra em todo canto.

Num sábado decidimos visitar a casa de nossas avós que por coincidência eram vizinhas e eu fui na minha bicicleta e a Marcela foi na dela. Para atravessar uma rodovia tínhamos que passar por uma estradinha de terra, a trilha por onde passávamos estava com dois buracos e uma rampinha entre eles. No meu caderninho eu desenhei, mas como está muito estranho, resolvi simular no photoshop.


Deu para entender? Bom, seguindo...
Eu desci da minha bicicleta e fui a levando empurrando, a Tamires passou também porém a Marcela que sempre foi a valentona e corajosa da turma decidiu ir pedalando. Ela encheu os peitos e disse:
- Eu consigo!

A gente alertou que era perigoso, mas ninguém tirava as ideias da cabeça dessa menina. E ela foi. Foi indo bem, porém no meio do caminho ela foi balançando, perdendo o controle e B O O M, caiu dentro do buraco... com bicicleta e tudo!

HAHAHAHA MEU DEUS! Eu e a Tamires não sabiamos se riamos ou se ajudávamos a Marcela. Enquanto ela gritava lá dentro:

TEM COBRA!

Ela gritava lá de dentro e não conseguia sair, porque o desespero era tanto que acabava não saindo. Apenas gritava lá que tinha cobra. Com muito custo a gente tirou ela e a bicicleta de lá do buraco, furiosa.
Um senhor que estava passando por ali perto olhou bem para ela e disse emburrada:
- NÃO, OBRIGADA!

A gente não falou nada, até porque ela já estava brava e com a cara feia. Mas passado um tempo a corrente da minha bicicleta enguiçou e aí ela riu de mim. Acabou que ficou tudo bem.
Porém eu nunca esqueci o desespero dela lá dentro do buraco, que nem era muito fundo, mas era muito estranho. A imagem dela tombando em câmera lenta sempre me faz rir.

Uma lembrança da Marcela era que ela era valentona. Ser amigo dela dava aquele status de que a gente podia zuar quem a gente quisesse que ela depois dava um jeito. Mas no fundo ela era demais, eu adorava estar com ela. Sinto muita falta da amizade dela.
Por ser gordinha, ela DETESTAVA que a chamasse de gorda. Se você a chamasse assim, podia ter certeza que iria dar briga. E ela brigava mesmo. Mas aí depois de uma certa idade ela fez um regime e isso passou.

Tenho muitas histórias com essa turminha, umas engraçadas, outras tristes, outras cabeludas e uns segredos.
Mas logo eu conto aqui.

Um abraço

Pedro, o precavido.



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