sábado, 26 de julho de 2014


Era uma vez um gato


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Desde criança sempre adorei os animais e desejava ser médico veterinário, só para poder cuidar dos pequeninos. Hoje em dia essa ideia não passa pela minha cabeça mais, porém meu amor continua. A vida toda tive animais, desde cães, gatos, pássaros, coelhos, peixes e por aí vai. Logo conversando com uns amigos sobre animais, me peguei pensando em como o gato é um bicho mesquinha e ingrato as vezes. Mas parei de arrumar pontos negativos sobre ele e pensei em uma estória que iria ser mais fácil de ser compreendido. Não é tese e nem teoria. É um texto para se refletir, ok?

Dizem que o gato é um animal egoísta, e interesseiro. Eu tento ver por um outro lado. Ele é apenas rancoroso. É o típico orgulhoso, que não aceita os fatos e tenta seguir em frente. Para entender o gato, temos que pensar como um gato. Temos que conhecer sua história. Tudo começa quando o pobrezinho é separado de sua mãe muito pequeno, e ali ele não aceita, fica emburrado e imagina que foi muita maldade o tirar de sua protetora. Começa a ser um gato rancoroso e muitas vezes seco.

Com seu dono fazendo todas suas vontades, o gato começa a se acomodar. Não que ele esteja feliz, mas está apenas aproveitando o momento e marcando seu território. A mágoa mora dentro dele ainda, porém ele finge estar tudo bem, até porque ele está tranquilo. Sempre mau humorado, ele jamais irá te receber com pulos de alegria ou alguma manifestação de boas vindas. O máximo que ele poderá fazer é "mostrar" que você demorou muito para chegar e entupir a tigela dele de ração.

Carente, só irá atrás de você quando ele querer um cafuné. E terá que ser do jeito dele, senão ele irá te morder e dar uma unhada tão feroz que deixará marcas em seu braço. O gato criou um limite e não quer que ninguém o ultrapasse, até porque ele não quer intimidade alguma com você. Imponente, ele jamais irá obedecer ordens suas. Nem tente o obrigar a fazer algo, ele irá dar meia volta e deitar no sofá, como se ele estivesse com um fone de ouvido com uma música no último volume.

Apesar de sua antipatia com o dono ser grande, ele não consegue lidar com a separação de sua mãe e as vezes se pega pensando nela e em como era quentinho o seu pelo e carinhosa com suas lambidas. O gato ainda sente medo e nunca se desliga do seu passado. Fica pensando em como seria sua vida ao lado de sua mãe felina. Está preso em algo que não voltará.

Seu dono não mede esforços para o deixar forte, bonito e cheiroso. Mas nada disso para ele tem valor, até porque esse gato é orgulhoso, não quer graça alguma com o dono, que para ele nada mais faz do que sua obrigação. Além de tudo, o gato se sente o maioral, tem o nariz empinado e não gosta de ficar por baixo. Se está no chão, ele dá um jeito de subir em algum lugar, pra mostrar que não é submisso a você. Seu complexo de superioridade é elevado e ele sabe que se você não o servir, ele irá embora te deixando com um vazio no coração. Sim, ele é maldoso e não pensará duas vezes em te unhar ou morder. É seu instinto. E ele não dará o braço a torcer. Não conte com isso.

Noturno, o gato sai a noite para encontrar os amigos e fazer novos. Pode ser que ele traga uns para casa e dividir a ração, mas as vezes ele estará visitando casas alheias. Se envolverá em brigas e conflitos, e voltará para seu lar todo machucado e arrependido. Com o olhar de piedade, promete não fazer mais isso novamente. Mas como todos sabem, esse é seu instinto. Ele não ficará ali para sempre. O rancor é seu melhor amigo, e ele não abrirá mão dessa amizade. Basta a nós apenas esperar o dia que ele não voltará, pois o gato é constante. É aventureiro. Ser acomodado não é mais seu foco, ele quer ser livre. Quer viver seu instinto, custe o que custar.

O preço eu não sei, mas sei que sete vidas não duram para sempre.

Pedro, o que não quer ser um gato.



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