quinta-feira, 29 de janeiro de 2015


A cobrança que deu errado


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O Lado B também é um blog de memórias e quando me recordar de algumas interessantes, postarei aqui. A desse post é engraçada, porém um pouco tensa.

Por volta dos meus treze anos, minha mãe teve uma padaria no bairro que morávamos. Depois de algum tempo, uma vizinha nossa estava nos devendo e como ela era mau caráter e não ia lá pagar, meu pai pediu que eu fosse cobrá-la. Me deu um papel com o valor escrito e pediu que eu apenas entregasse o papel pedindo que ela fosse acertar.

Fiquei com vergonha de ir sozinho e chamei um dos meus amigos, que por ali estava. Ele era encapetado. Típico menino imperativo e totalmente sem noção. Sabe né? A casa da mal pagadora era na rua de trás e fomos fazendo bagunça, jogando pedra um no outro, e tal... coisas de criança.

Chegando na casa dela, bati palma e ninguém saiu. A casa tinha um portão velho de lata e eu inocente, pedi que esse meu amigo batesse no portão. Ele literalmente bateu no portão. Deu soco, chute e tudo o que fazia o barulho ficar cada vez maior. haha

Fiquei lá estático rindo dele esmurrar o portão quando não demorou muito e o pai da má pagadora saiu da casa assustado e soltando fumaça pelas ventas. O danado do moleque saiu correndo e eu, muito palerma, fiquei lá pra entregar o papel:

- Não fui eu que bati no seu portão não... mas entrega esse papel pra sua filha e pede pra ela ir lá acertar a continha dela...

O velho faltou me bater de tanto ódio. Se ele pudesse fazer isso, ele tinha feito. Com muita raiva, falou um monte de coisa que não lembro direito e gritou:

- Sai daqui agora! Você tá doido? O que você está pensando? Vou entregar nada... Você vai ver, vou falar pro seu pai que quase derrubou meu portão, filho da ...

Eu, mais humilhado que o próprio portão que apanhou, sai correndo na frente enquanto o velho vinha gritando comigo na rua. Cheguei bufando na padaria e tentando contar pro meu pai o acontecido, só que já era tarde demais. O pai da moça chegou lá gritando e falando o bicho pros meus pais, e o pior vocês não sabem...

Meu pai ficou do lado do velho. Claro! Eu queria morrer de tanto ódio, pois não tive nem como me defender. Nem foi culpa minha, poxa! A mulher tava devendo e eu fui cobrar como ele tinha me pedido. E ainda sai como o ruim da história. Meu pai pediu desculpas pro velho e ele foi embora indignado. Eu? Eu fiquei com muita raiva desse senhor que toda vez que o via na rua, percebia que ficava falando um monte de coisa baixinho. Ai que vontade de ir lá dar um sacode nele hahaha Mas eu ficava era com dó... Pra ter uma filha que tinha fama de má pagadora e já seria tristeza demais.

Pra finalizar, minha mãe levou calote e nem recebeu nada da pilantra. Nem ela, e nem ninguém. Enfim, deixa pra lá. Espero que ela tenha criado vergonha naquela cara e não ter feito mais nenhuma pessoa de bobo. Ou pelo menos tenha trocado aquele portão de lata velha... kkk

Pedro, o que quase apanhou do velho sem razão.



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